Alta do dólar afeta mercado de games
A disparada do dólar nos últimos meses fez mais uma vítima: o mercado de jogos eletrônicos está tendo que reajustar seus preços para poder acompanhar a variação da moeda americana. O problema é que boa parte dos componentes usados na montagem dos console, bem como custos envolvidos na produção dos jogos, são pagos em Dólar.
O mundo enfrenta um caos sem precedentes com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus. E, além das questões de saúde, o mercado financeiro tem sentido, e muito, os problemas causados por esse vírus. Nesta quarta-feira (18), por exemplo, o índice Ibovespa, a bolsa de valores de São Paulo, atingiu às 13h18, quando a perda era de 10,26%, fazendo com que ocircuit breaker,mecanismo de paralisação das negociações para que o mercado se reorganize, fosse acionado. Além disso, o dólar atingiu o patamar mais alto da história por mais um dia, chegando a R$ 5,22.
Eletrônicos
Muitos eletrônicos que são vendidos no Brasil são importados e, claro, a moeda predominante é o dólar. Com a paralisação das entregas não apenas dos produtos prontos, mas também dos componentes para a montagem de aparelhos aqui, a tendência é que não apenas o alto preço da moeda americana, mas também a falta de itens e insumos façam com que os valores aumentem substancialmente. “Qualquer matéria-prima eventualmente é afetada, podemos ter o trigo um pouco mais caro, o combustível, qualquer produto vindo do exterior”, disse o professor do Departamento de Economia da Universidade de Brasília (UnB) José Carlos de Oliveira, em entrevista ao Correio Braziliense.
Uma consultoria chinesa especializada na produção de suprimentos, a Trendforce já apresentou um relatório em que aponta que a produção de smartphones no primeiro trimestre de 2020 deve cair 12%, comparado ao mesmo período do ano passado. Outras categorias como monitores, TVs e notebooks também sofrerão com a produção. Segundo a consultoria, terá uma redução de milhões de unidades produzidas. Esses produtos também estão entre os mais buscados e vendidos no Brasil.
Segundo o pessoal do e-commerce Brasil, aqui no país o impacto direto nas vendas, seja no mundo físico ou online, será grande. Algumas grandes fabricantes como LG, Samsung e Motorola já tiveram parte da produção suspensa pela falta de suprimentos e componentes eletrônicos que são importados da China. A alternativa foi dar férias coletivas, no caso da fábrica da LG em Taubaté-SP. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), 70% das empresas associadas já sofrem com o recebimento de materiais da China.

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